Curiosidades que ninguém nunca perguntou para Ivete Sangalo

domingo, 14 de abril de 2013




Por Leo Dias


A primeira vez em que estive cara a cara com Ivete Sangalo foi durante a coletiva de seu show no Madison Square Garden, em Nova York, em 2010. Na ocasião, peguei o microfone e me presentei, disse para qual veículo trabalhava e ela respondeu prontamente: “Eu sei quem você é”. Opa! Nessa, percebi que Ivete não estava ali à toa. Os anos se passaram e voltei a encontrá-la outras vezes.
Virei fã e descobri que do outro lado está uma mulher gente como a gente, sempre pronta a atender e nesse papo por telefone vi que conversava com um brasileira batalhadora, mãe de família e merecedora de todo o sucesso que tem. Apaixonem-se por Ivete Sangalo.
Ivete Sangalo também tem TPM?
Muito! Aaaave Maria! Eu não faço reuniões quando estou de TPM, não tenho nenhuma programação. Honestamente, a única coisa que alivia a minha TPM é show, porque é uma coisa que eu gosto muito. Descarrego ali. Com TPM, eu cancelo tudo, aliás, nem marco.
Você não sai quando está assim de mau humor?
Todo mundo sabe que eu sou uma pessoa alegre, mas tem coisas que aborrecem a gente no dia-a-dia. O lance do mau humor é você dar um tempo pra ele, usufruir dele por meia hora e não deixar que ele tome o seu dia inteiro. E eu não sou mulher de remoer nada, não. Inclusive, qualquer pagode já muda o meu astral.
O que te deixa irritada?
Hoje, poucas coisas. Aprendi a lidar com os problemas da vida. O que me deixa irritada é atribuírem a mim responsabilidades que não são minhas. Outra coisa que me deixa mal — aí já não é irritação — é preconceito de qualquer tipo, de cor, de opção sexual, de aspecto de aparência…E injustiça, crueldade. Essa história da manicure, por exemplo, me deixou arrasada. A gente entra na dor da mãe, reza e pede a Deus que as pessoas melhorem. E como artista, não tenho nenhum problema com o que as pessoas falam do meu trabalho.
Você lê essas críticas?
Meu tempo é muito doido, mas costumo acessar alguns sites pelo celular, inclusive sobre assuntos à margem do trabalho, as famosas fofocas. Mas, honestamente, não me incomodo, não.
O que incomoda mais? Uma crítica ruim de um disco ou uma fofoca mentirosa?
Tem gente que não gosta da minha voz, que não gosta da minha música, mas isso não é falar mal, isso é opinião. No caso da fofoca, existe uma demanda do leitor por uma notícia nova a cada meia hora por conta da rapidez das novas tecnologias. Se a fofoca é verdadeira, aí eu tenho responsabilidade sobre ela. E vamos combinar que hoje nós, artistas, temos uma prática de sermos um pouco jornalistas. Hoje tem Twitter, Facebook, Instagram, a gente divulga o nosso trabalho ali e faz um release sobre nós mesmos.
E com essa rapidez, você pode desmentir uma nota em questão de segundos.
Eu acho que o artista tem que se vigiar, mas também não precisa deixar de fazer as coisas que gosta nem ficar triste com o que é divulgado.
É verdade que você não deixou o seu filho, Marcelo, de 3 anos, ser fotografado até o dia do batismo?
Logo que tive ele, fiquei doida, ciumenta, possessiva, como um bicho que coloca o filho debaixo do braço, mas me comportei como todas as mães. Continuo não querendo expor meu filho. Acho que os filhos se tornam ainda mais preciosos num mundo onde uma manicure que frequenta sua casa faz o que fez. No mundo de hoje, a gente tem que ter um pouco de vigília. Eu posso estar equivocada, não é o modo mais certo, mas também não é o modo mais errado.
Desde quando você assumiu a postura de preservar a sua vida?
Já sou uma pessoa muito famosa. Queria que meu filho não fosse vigiado e assediado tão cedo.
Ou ele acaba virando uma celebridade…
Se eu não fosse uma pessoa tão famosa, talvez minha postura fosse diferente. Mas não condeno quem faz isso, não. Ave Maria, longe de mim condenar. Se eu pudesse contar pra todo mundo todas as coisas que ele faz, mas a minha questão é com o mundo de hoje, não é com quem adoraria vê-lo. Também não fico escondendo, não. Ele dorme cedo, é criança e aqui na Bahia não tem esses eventos badalados, pré-estreia de filme, aniversário de famosos (Marcelo interrompe a entrevista: “Mãe, te amo”). Olhe isso, é de lascar, viu? (Ivete, derretida).
Ele vai ser artista?
Rapaz, vou te falar uma coisa. Se vai ser artista, não sei, mas o pai diz: “meu Deus, esse menino tem o que meu?”. Ele toca bateria, ele tá querendo ter um estúdio em casa… É bom demais filho, é bom demais família!

Qual é a sua religião?
Sou católica batizada, sou uma mulher de muita fé, e acho que essa fé independente do local que você frequenta, dos ritos. Fé não tem nada a ver com a religião. É acreditar na força de Deus, é acreditar no amor. Quando estou aflita, peço a Deus e começo a fazer um mantra lembrando de tudo o que eu tenho: tenho amor, tenho família, tenho saúde…
Qual é a sua maior qualidade?
Num sei, menino. Deixe eu pensar aqui direitinho. Não sou uma pessoa amarga, vejo lado positivo até nas coisas ruins e até acho que essas coisas ruins vêm para me dar uma lucidez das coisas que são boas.
Você perdoa fácil?
É o que eu mais faço. Sou a pessoa do perdão. Tenho uma coisa louca: eu não lembro das coisas que me magoam, às vezes as pessoas me pedem desculpas por algo que fizeram. Aí, eu penso: “Meu pai, essa pessoa fez isso comigo quando?!?”. Não tô fazendo a boazinha, não.
Qual é o seu defeito?
Eu tenho um defeito sério. Tô pensando numa maneira de dizer pra não ficar queimada na praça. Vamos lá: você marca um encontro comigo às 10h. Eu acordo às 8h, porque sei que o encontro é às 10h, mas quando dá 9h45, eu saio correndo. Chego às 10h, mas a ponto de ter uma parada cardíaca de tanta aflição que eu tive no caminho achando que ia me atrasar. Mas estou me educando. Em contrapartida, sou muito prática, não sou muito vaidosa. Fez a maquiagem, fez o cabelo, tô pronta! Não sou aquela mulher que fica no espelho olhando o canto do olho, não me maltrato com isso.
Quem é sua melhor amiga no meio artístico?
Mas isso é tão difícil de dizer. São amizades duradouras, mas nem sempre eu consigo vê-las. Tenho amigas no meio artístico que são extremamente ciumentas, então não posso mencionar só
uma.
Você já pensou em sair da Bahia e vir morar no Rio?
Não dá, não. Não ia conseguir viver longe daqui.
É pela Bahia ou pelo stress do Rio de Janeiro?
Mas eu amo o Rio, tenho um apartamento aí.
É pela exposição excessiva?
Não é isso, não. Minha família toda vive aqui, gosto deles e dos meus amigos aqui em casa, minha banda está aqui. E tenho apego com o lugar, gosto de saber dirigir na minha cidade, conhecer tudo.

O que não pode faltar na sua geladeira?
Ô, meu filho, comida, meu bem. Comida, comida, eu como qualquer coisa.
Mas geladeira cheia?
Menino, o que tiver a gente traça, o importante é ter. Tanta gente que não tem comida na geladeira! Mas sou uma consumidora aficcionada por fruta. agora, com esse programa que a gente está fazendo, só posso comer fruta quando acabo de malhar.
Você está fazendo dieta?
Não é dieta, é reeducação alimentar associada a exercícios. Você não conta caloria, você conta ordem de consumo. Fruta depois do treino, à noite você pode comer proteínas. O que Daniel (Cady, marido da cantora e nutricionista que lançou o programa de reeducação alimentar Body Change) tira da dieta é tudo que contenha farinha.
Dieta para você é ruim?
De jeito nenhum. O que não acho bom pra mim é tentar me adequar a um padrão estético. Sou uma mulher grande e gosto do jeito que eu sou. Padronizar uma estética é escravizar um público que por algum motivo não tem condições de seguir aquela dieta restrita. Estabelecer um padrão é piorar a vida das pessoas. Vivo dentro da minha realidade, do meu corpo, do que me faz feliz.
O que você precisa levar quando sai de casa?
Sempre ando com carteira. Às vezes, vou levar meu filho na escola e percebo que esqueci de colocar o combustível no carro, posso precisar de dinheiro. Mas não saio de casa mesmo sem uma garrafa de água.
Você sabe quanto tem na sua carteira agora?
Claro que sei. Tenho R$ 160 e uns quebrados, porque acabei de comprar um xarope, meus cartões, 200 euros da última viagem à Europa e 100 dólares da última viagem aos Estados Unidos. Eu nem troco, porque sei que vou usar quando voltar.
É verdade que o nome do seu filho tem a ver com o padr Marcelo Rossi?
Energeticamente, tem. Foi uma feliz coincidência. Eu e Daniel acordamos que se fosse menina, eu escolheria o nome e se fosse menino, ele escolheria. Minha irmã estava na gráfica com enfeites e coisinhas azuis e rosas esperando que eu desse à luz e soubesse o sexo do bebê. Mas perdi meu primeiro filho e logo depois encontrei o padre Marcelo Rossi. Ele me falou coisas lindas. Aquilo foi muito importante para mim e para Daniel. Mas Marcelo é também o melhor amigo de Daniel. Quando ele escolheu o nome, eu liguei direto para o padre Marcelo para avisar que meu filho ia se chamar Marcelo. Então, é uma homenagem a ele também.
Qual é a melhor parte do casamento?
O mais lindo é ter um filho de uma pessoa que você desejou intimamente, “queria ter um filho de uma pessoa assim e assim”
Você é uma pessoa abençoada?
Nossa, sou muito. E agradeço por isso todos os dias. Agradeço inclusive pelas dores que Deus me manda.
Pelas dores?
Eu agradeço. Digo: “Meu Deus, eu confio tanto no Senhor que isso vai me dar forças para o que virá”.
Você cresce na dor?
Só fica estagnado na dor quem não se ama.
Qual é a pior parte do casamento? Uma tolha em cima da cama?
Você matou a charada! Eu chego de viagem toda encapada de edredom, em tempo de matar as minhas varizes com aquelas malas, chego em casa, lavo tudo no sabão, deixo de molho, boto essência, deixa a cama toda linda. Aí, ele chega do mar, todo bonitão, e coloca a roupa de sal em cima da minha colcha! Eu fico louca! E as manias? Vai bater uma coisa no liquidificador no domingo, quando a gente não tem ninguém (risos). Vai fazer uma comida, utiliza todas as panelas que existem!
Você é muito organizada?
Mais limpa que organizada. Na ordem, sou limpa e, depois, organizada.
E uma mania estranha?
Não sei é mania, mas não consigo dormir com nenhum feixe de luz. Nos shows, minha mania é passar do tempo no palco. A produção fica louca porque, às vezes, tem um avião me esperando para viajar em seguida.
É verdade que você conheceu o Daniel no elevador do seu prédio?
Não (risos). Eu estava fazendo um exercício de voz no térreo do meu prédio, que fica aqui na Baía de Todos os Santos e onde tem um bondinho. Era janeiro, eu ia ali para tomar sol e ficar no bronze. Um dia desci e fiquei conversando com três caras. No terceiro dia, desci e aí ele veio nadando, subiu a escada do pier porque era amigos dos tais rapazes. Bati o olho: “Ê, papai, que beleza é a natureza!”. Mas não pensei na possibilidade. No Carnaval, ele subiu no trio. Depois, eu estava com uma nutricionista que precisava voltar para Belo Horizonte. Eu estava com ela no tal bondinho, quando ela me disse, apontando para o Daniel lá embaixo: “aquele cara é um excelente profissional para trabalhar com você”. Passou o tempo, viajei e quando voltei, a gente passou a se encontrar todos os dias. Fomos nos conhecendo aos poucos.
Quem tomou a iniciativa de chamar para jantar, conversar?
Que mané jantar! Aqui é “vamos nadar?”. Ele foi nadador profissional e disse que eu tinha que diversificar os exercícios. Fomos nadar e, no quarto dia, papai derrubou ali mesmo (risos).
Seu filho tem babá?
Tem, mas só quando trabalho. Como não tenho um trabalho no qual preciso bater ponto, tenho tempo para ficar com ele, então não justifica. Minha vida se equilibrou de uma forma que consigo ser mãe, mulher e cantora.

Você se preocupa muito com as suas roupas?
A importância da roupa na minha vida é o conforto. Sou cantora, não sou modelo. Não é a roupa que diz como vai ser meu show.
Você anunciou que quer engravidar de novo, existe cobrança sobre isso?
Na verdade, me perguntaram sobre isso e eu respondi. Quando você namora, perguntam quando você vai casar e quando você casa, é quando vai ter filho.
O Marcelo foi programado?
Não. Tanto que levei um susto quando soube que estava grávida, porque faltavam 10 dias para o Carnaval.
O segundo filho também vai ser ao acaso?
Deus é quem manda, não tomo pílula, não tomo nada.
Qual é o seu sonho de vida? Você já alcançou tudo.
A única coisa que eu queria muito hoje, e eu peço a Deus todos os dias, é saúde. Para trabalhar, para cuidar dos meus filhos… O resto eu dou conta, me jogo.
Sua carreira é desgastante, puxada. Isso não cansa?
O mais puxado de uma carreira como a nossa são os deslocamentos, mas o presente é estar numa cidade onde as pessoas querem te ver. Tem dias em que estou exausta, só quero dormir, mas penso que vou trabalhar num carrão bonitão, vou encontrar uma mesa de frutas, cheia de maquiadores e cabeleireiros, aí eu me animo e levanto.
Como vai ser o show do Rio no dia 11 de maio?
É o show Real Fantasia. Faço uma mescla com as músicas da carreira com o disco novo, figurino, cenário, tudo novo. No Rio, eu me esbaldo, coloco em prática aquele meu mau costume de fazer um show maior que o programado. Um recado: gente, vai, bebe bastante líquido e o resto deixa comigo!

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