Campanha de combate ao tráfico de pessoas tem Ivete como embaixadora da ONU

quinta-feira, 9 de maio de 2013


Governo lança campanha ‘Coração Azul’ da ONU contra o tráfico de pessoas, da qual Ivete Sangalo é embaixadora. Na foto, aparecem o diretor -executivo da UNDOC, Yury Fedotov, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e Ivete
Foto: Jorge William / O Globo



BRASÍLIA - Com a presença da cantora Ivete Sangalo, nomeada embaixadora da Organização das Nações Unidas (ONU) na luta contra o tráfico de pessoas no país, foi lançada nesta quinta-feira no Brasil a campanha "Coração Azul". O objetivo da campanha é mobilizar a sociedade contra esse tipo de crime, que, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), atinge mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo. Relatórios do escritório mostram que 58% das vítimas são submetidas à exploração sexual e 36% a trabalho escravo.

Ivete recebeu o título de Embaixadora Nacional da Boa Vontade para Prevenção e Combate ao Tráfico de Pessoas do diretor executivo do UNODC, Yury Fedotov, que está no Brasil realizando sua primeira visita oficial ao país. A cerimônia foi realizada no Ministério da Justiça.

- É inadmissível que nos tempos de hoje a gente se depare com movimentos tão radicais, desumanos como a escravidão de pessoas - afirmou Ivete Sangalo.

- Não há nenhum país no mundo livre desse crime no mundo - acrescentou Fedotov.

- Infelizmente esse crime é subterrâneo. As vítimas não denunciam por vergonha ou medo. Os familiares não denunciam por vergonha ou medo. E a autoridade policial, o Estado brasileiro, por mais que tente, não consegue ir atrás. Crime não denunciado é crime oculto, e crime oculto é crime não punido - disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Em todo o mundo, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 20 milhões de pessoas sejam vítimas de trabalho forçado, o que inclui as vítimas de tráfico humano para exploração sexual e de trabalho. Segundo o Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas de 2012, publicado em dezembro do ano passado pelo UNODC, 27% das vítimas de tráfico de pessoas oficialmente detectadas no mundo entre 2007 e 2010 eram crianças. De acordo com o UNODC, o tráfico de pessoas gera bilhões de dólares para as redes criminosas.

No Brasil, um estudo da Secretaria Nacional de Justiça, em parceria com o UNODC, mostrou que, entre 2005 e 2011, dois terços dos inquéritos relacionados a tráfico de pessoas instaurados pela Polícia Federal (344 de 514) se referiam a trabalho escravo. Outros 157 eram por tráfico internacional e 13 por tráfico interno de pessoas. Ao todo, esse inquéritos resultaram no indiciamento de 381 suspeitos, mas apenas 158 foram presos. Segundo o Ministério da Justiça, o baixo número de presos se deve aos limites da legislação e de dificuldades em reunir provas.

Maior parte dos processos se refere a trabalho escravo. Dados do Ministério Público Federal mostram que, de 2007 a 2010, houve 3.162 casos judiciais envolvendo o tráfico de pessoas. A maior parte (2.639) se referia a trabalho escravo. Outros 499 eram para exploração sexual e 24 para remoção de órgãos. Houve ainda 1.907 casos extrajudiciais, sendo que 1.783 por trabalho escravo, 109 por exploração sexual e 15 por remoção de órgãos.

Para obter auxílio, as pessoas vítimas do crime podem recorrer à rede de núcleos e postos estaduais e municipais de enfrentamento ao tráfico de pessoas, a rede consular para apoio no exterior, os serviços Disque 100, da SDH, e o Ligue 180, da Secretaria das Mulheres. Também podem entrar em contato com a Coordenação de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria Nacional de Justiça, pelo e-mail traficodepessoas@mj.gov.br, e com a Polícia Federal, pelo e-mail urtp.ddh@dpf.gov.br.

Campanha em dez países: A campanha já foi implementada em outros dez países. No Brasil, o slogan será "Liberdade não se compra. Dignidade não se Vende. Denuncie o Tráfico de Pessoas". Para divulgação da campanha, foi criado o hotsite www.coracaoazul.com.br. São parceiros do UNODC na campanha o Ministério da Justiça, a Secretaria de Direitos Humanos (SDH), a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres e a Rede Globo.

Além de Fedotov, Cardozo e Ivete Sangalo, estiveram presentes no lançamento da campanha o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; a ministra da SDH, Maria do Rosário, a ministra da Secretaria das Mulheres, Eleonora Menicucci; o defensor-geral federal, Haman Tabosa de Moraes e Córdova; o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão; e o vice-presidente de Relações Institucionais das Organizações Globo, Paulo Tonet Camargo.

Durante a cerimônia de lançamento da campanha, realizada no Ministério da Justiça, a autora de telenovelas Glória Perez foi homenageada. Sua novela "Salve Jorge", em fase final de exibição na TV Globo, retrata o drama de mulheres traficadas para o exterior para exploração sexual.

- É uma chaga que envergonha o mundo e o Brasil. Ao deparar com os números da OIT, a gente se pergunta: a escravidão acabou? Ao tomar conhecimento de tais dados, a autora Glória Perez se dedicou à pesquisa do tema, para a novela "Salve Jorge". Ela procura dar voz aos invisíveis, na esperança de que a novela pudesse alertar e resgatar as vítimas de tráfico de pessoas. Apesar de ser uma trama de ficção, os números mostram a dura realidade - disse Paulo Tonet Camargo.



Fonte: O Globo

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