Entrevista: Ivete Sangalo, fã assumida de Tim Maia

domingo, 26 de abril de 2015



JORNAL DO COMMERCIO – O público recifense já é habituado com a sua presença, sobretudo na praia, onde seu trio elétrico já arrastou multidões em micaretas passadas e em festivais de verão em Tamandaré. Agora você retorna ao litoral recifense, na Praia do Pina, com a musicalidade de Tim Maia. Como você vê a receptividade dos fãs contigo cantando a obra do Síndico?IVETE SANGALO – Tudo que apresento de novo, como intérprete ou compositora, é recebido com tanto carinho, e eles são tão receptivos, que nunca me senti intimidada a apresentar qualquer coisa. Principalmente como intérprete, pois minha carreira tem um domínio maior como intérprete. Sou compositora, muito tímida ainda, mas a intérprete já fez um bocado de coisa. Essa coisa de Tim Maia (apesar de ser um projeto diferente para mim, tocando um só compositor) faz parte da história musical de todo brasileiro. Eu e Recife, cantando Tim Maia, na praia... se melhorar, estraga. 

JC – Para além da profissional, onde encontramos Tim Maia na sua memória afetiva e pessoal?IVETE – Eu lembro que uma vez encontrei com ele num programa de televisão e foi uma surpresa. “Já fui a tantos shows teus, já fui até a um show que você não foi, participei intensamente”, disse a ele. Fui como fã, como uma figura também influenciada por ele. “A gente se encontrar aqui, agora, depois de tantos anos, eu como cantora...”, falei. Fiquei tão honrada de contar isso a ele! Tim sempre fez parte do meu playlist, meu pai sempre colocou para tocar – uma casa de seis filhos, imagine quantas influências de cada geração! Via e ouvia ele bombando na soul music, e outros tantos músicos que conhecia pelos meus irmãos. Fui me interessando, colecionando o disco dele e nunca imaginei que viria a fazer essa homenagem.

JC – Como foi para você, íntima da musicalidade de Tim Maia mesmo antes da fama, receber esse convite da Nivea?IVETE – Todos conhecem pelo menos uma música de Tim Maia, que foi um dos maiores da música brasileira e é uma onda que sempre gostei. Meus fãs sabem da importância de Tim Maia na minha carreira. Nunca pensei que ia fazer um processo entrelaçando a nossa música. Quando me chamaram foi mais ou menos assim: “Ai, meu Deus do céu, que bom que lembraram meu nome” (risos). Sou uma conhecedora da obra de Tim, tem muito dele no meu trabalho, por exemplo, o balanço e as levadas. 

JC – De tão conhecedora da obra de Tim Maia, você conseguiria escolher, indicar um álbum ou uma música dele que tenha alguma ligação pessoal contigo?
IVETE – 
Tem uma canção que sempre gostei muito, que chama Lábios de mel, e não é a mais famosa, nunca foi. Além de ouvir, na versão do próprio Tim, já tinha escutado antes de cantá-la (já tinha ouvido no YouTube, alguma coisa assim). Lá atrás, eu curtia ela. Quando fomos fazer o repertório, ela entrou. Eu estava ouvindo o ensaio dela, junto com o meu filho, e ele falou: “Que música massa, que música linda.” Pois toda vez que eu ouço, remeto a esse momento, a esse “tio Maia”, como ele chama. (risos). Mas também tem umas que são músicas emblemáticas. Sossego, por exemplo, não sei se gosto mais do arranjo ou da ideia da música, que é um balanço irrecusável. 

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